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Clique para ouvir "Mês de maio"

A produção do artista, cantor e compositor carioca-pantaneiro Paulo Simões, começou a se tornar conhecida no final dos anos 70, com o hit mochileiro Trem do Pantanal (com Geraldo Roca), gravado sucessivamente por Diana Pequeno, Almir Sater e muitos outros. Lobo da Estrada (com Pedro Aurélio), na voz de Sérgio Reis, explode em todo o Brasil, passando a ornamentar o pára-choque de muitos caminhoneiros.

Seguem-se Varandas, Sonhos Guaranis e Comitiva Esperança entre muitos sucessos da parceria com Almir Sater. Mas Simões encontra fôlego para outras colaborações e divide o Prêmio Sharp de 92 com Guilherme Rondon, pela melhor canção regional (Paiaguás), com quem desenvolve, ao lado de Celito Espíndola e o sanfoneiro Dino Rocha, o projeto Chalana de Prata, nos anos 90.

Mas não é só como compositor de seus sucessos que ele procura satisfazer suas ambições artísticas. Adepto fervoroso do estilo "pé-na-estrada", cria o lendário Expresso Arrasta-Pé, banda/laboratório onde experimenta ousadas e dançantes fusões rítmicas, aproveitando para lançar muitos talentos vocais e instrumentais. Tudo registrado nos CDs "Paulo Simões & O Expresso Arrasta-Pé", volume 1 e 2, lançados pela Sauá, selo criado com Guilherme Rondon para divulgar a nova música pantaneira.

CD "Rumo a dois mil e uns..."

Em "Rumo a dois mil e uns...", seu trabalho mais pessoal até aqui, surge um compositor-intérprete maduro, porta-voz de uma musicalidade ainda não totalmente assimilada nos grandes centros. Mera questão de tempo (e tempo parece ser um assunto do qual ele entende).

Rumo ao presente/futuro deste milênio, o disco traz releituras de canções indispensáveis, como Mês de Maio, Mais um Verão e Terra Boa, dele e Almir Sater.

Trem da Solidão, do disco anterior, reaparece acrescida de sonoridades e horizontes insuspeitados. Circuito Fechado surge na versão inicial, bluseira, musicada por Geraldo Roca, com participação especial do Bando do Velho Jack, introdutor de Trem do Pantanal nas tribos roqueiras.

Contando com participações de nomes de peso da música sul-mato-grossense, produção musical e engenharia de som de Hamilton Griecco, o Micca, este CD vem principalmente consolidar a nova parceria de Simões. Antonio Porto, músico versátil, tarimbado por uma década de atuação no circuíto alternativo europeu, sabe conceber molduras instigantes pra canções não-descartáveis. Um relógio que atrasa, Bolha de Sabão, Faminto e Sedento, cada uma sinalizando possíveis desdobramentos futuros, nos fazem esperar outras preciosidade desta promissora associação.

Se o futuro não é uma entidade fixa, que encontramos ao dobrar alguma esquina do tempo e sim um resultado do que se cria agora, temos neste disco uma rara oportunidade de viajarmos por caminhos desconhecidos, a não ser para a sensibilidade de artistas, como Paulo Simões e seus companheiros de estrada.